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1. Como todo o movimento espiritual de amplitude, o Fascismo tem uma filosofia própria. Todavia, quem procurar um volume onde esta possa estar exposta no todo ou em parte, não o encontrará, e quem a expuser em proposições ocasionais e separadas extraídas dos vários e diversos escritos do Chefe e dos seus seguidores autorizados que pareçam susceptíveis de ordenação sistemática, corre o risco de erguer uma filosofia à sua imagem e semelhança, mas sem verdade e sem vida.A filosofia de Mussolini não está tanto no que ele disse, mas no que fez (sabe-se que as ideias de um homem se patenteiam, mais que nas palavras, nas acções). Acima de tudo, há que considerar que as acções e palavras têm um significado enquanto expressões de um espírito que é aquilo que é porque possui um carácter, uma nota fundamental, um princípio, em suma; é deste que importa partir para entender acções e palavras singulares, a razão de ser de cada uma delas, sentir onde está a tónica quando o homem fala e a sua finalidade quando age.Mussolini é um génio político. Toda a sua filosofia reside, pois, na doutrina política (pensamento e acção); contudo, não há ideia que não expresse ali a vida do espírito e não possua a energia lógica de uma concepção do mundo e do homem no mundo, concepção que in nuce é filosofia própria e autêntica. Daí, a sua originalidade e força, a sua potência histórica. Assim, quem quiser apreender a filosofia do Fascismo, ou seja, a sua orientação geral e o seu modo de entender a vida, em suma, quem queira compreender a essência da fé fascista, deve olhar para o conceito fascista do Estado.
2. Primeiro, o Estado fascista nasceu da crítica sindicalista soreliana ao parlamento e à democracia socialista; em segundo lugar, da experiência de dissolução a que chegaram a autoridade e a unidade do Estado com as lutas irredutíveis das forças parlamentares e dos partidos seus protagonistas; em terceiro lugar, da experiência da guerra.A crítica que o novo sindicalismo ia desenvolvendo — fruto da mordaz desvalorização que o marxismo fez de todas as artificiosas estruturas políticas não geradas pela profunda realidade económica ou que não aderiam às estruturas básicas da organização produtiva e aos interesses efectivos dos grupos sociais — esvaziou o Estado parlamentar do seu conteúdo. De facto, demonstrou o afastamento ou, melhor, o contraste insolúvel entre nação e Estado, entre os cidadãos, em que, historicamente e sob todos os pontos de vista, se concretizam a vida do Estado e os poderes que em regime parlamentar se presume que unem e unificam esses cidadãos numa consciência única e numa vontade política ou universal. Crítica conhecida, que atinge principalmente o conceito de representação, pondo-lhe a nu o carácter convencional e ilusório.Essa crítica era como que ilustrada e comprovada pela experiência cotidiana do descrédito cada vez maior em que caíam as instituições parlamentares, agora já despojadas do prestígio sem o qual não é possível exercer uma acção eficaz sobre o povo; do embaraço cada vez maior em que o jogo dos partidos no parlamento punha o governo onde se concentra, e, portanto, onde actua e se explana a autoridade do Estado; a fraqueza progressiva que cada dia atingia mais e mais governo e parlamento, chegando a uma forma que se assemelhava já à paralisia. Daí, a crescente insolência das forças desagregadoras rebeldes contra o poder do Estado, desprezando, ou, pelo menos, sendo indiferentes às suas leis, alheias aos interesses gerais e dirigidas, mais que pela acção do poder soberano, pela consciência e vantagens das categorias particulares (trabalhadores, empregados, mestres, professores, etc.), organizadas em ligas de resistência contra o Estado e situadas em posição de desconfiança e suspeita contra este, de que todos os interesses legítimos deviam obter garantia e tutela. Exaltado e cultivado com ardor, esse espírito de organização trouxe, não um conteúdo mais sólido ao Estado, mas a oposição de uma massa compacta de interesses.A esta eloquente e sugestiva experiência de 1915 juntou-se outra mais significativa e evidente: a guerra.Precedida na Itália de um período de discórdias ferozes, a opinião pública reflectia a alma nacional dilacerada por concepções opostas da vida, da história e do futuro da nação, alma que, submetida à prova, mostrava não estar educada politicamente na consciência segura dos destinos da nação, que projectam e formam como ideal e lei a sua própria personalidade. Guerra precedida, pois, de turvos debates e contrastes entre intervencionistas e neutralistas, declarada contra a vontade efectiva da Câmara, ainda que esta dissimulasse manhosamente a sua oposição sob a forte pressão da corrente intervencionista dominante no país.Falência clamorosa da mentira convencional da representação da vontade popular e condenação dessa Câmara a uma vida pouco gloriosa (que devia protelar-se por toda a guerra) na situação falsa a que a história e a sua vontade a tinham amarrado.A Câmara estava afastada da nação num momento em que esta se reencontrava a si mesma com uma só consciência, uma só vontade e um só ânimo, pronta a enfrentar uma grande prova, um daqueles esforços heróicos em que os indivíduos sentem o Estado como a sua essência mais profunda, como um ideal pelo qual importa viver e importa, também, morrer, ideal que é medida de todos os bens da vida e afastado do qual o homem pode sentir prazer, mas perde a consciência do próprio valor e do próprio ser, do ser que fala uma língua e tem recordações sagradas em comum com os outros e, ao mesmo tempo, esperanças que representam para ele a razão de viver: um sol que brilha alto no céu, que o aquece e conserva em conjunto com os que nasceram na mesma parte do mundo e que com ele se associam e vinculam a uma história. Há séculos que a Itália não se sentia tão Itália: a partir do seu Risorgimento, nos onze lustros da sua nova vida, nunca como então fora sacudida por um tal frémito de substancial unidade de espírito, daquela unidade que faz de uma nação um Estado consciente do tronco único onde vai beber toda a sua linfa vital.Com a guerra, ressurgia nos ânimos o Estado, a pátria veneranda, não a palavra retórica ou abstracta, mas a lei e a vida da alma; e o parlamento dos representantes do povo italiano era superado, posto de parte, morto ou moribundo. A guerra foi totalmente obra da Itália jovem que não se deixava prender às ideologias libertárias, que voltava desdenhosamente as costas à Câmara dos advogados e aventureiros das condecoraçõezinhas, aos cultores da alquimia de grupos e grupinhos, aos espertalhões e velhacos das combinações habilidosas de buracos formidáveis e de minas subterrâneas nos gabinetes. Guerra da Itália jovem, que nos primeiros anos do século começava a aprender algumas verdades importantes: que a vida não é esse miserável jogo de habilidade, de esperteza e de cálculo a que os homens políticos do liberalismo radical e socialistóide a tinham reduzido: é coisa séria, semelhante a uma religião, como Mazzini, o maior profeta do Risorgimento, pregava aos seus partidários: vida que não nos pertence como um direito a exercer e a gozar, mas que é dever a cumprir, missão a realizar e, sendo missão, a realizar mesmo através do sacrifício pessoal, posto que o indivíduo, separado da solidariedade espiritual, da nação e da humanidade, não tem valor em si visto ser apenas, como diria um filósofo, aquilo que actua através da universalidade do espírito.A guerra sentida e vivida pelos jovens, a guerra que, como escola e formação do espírito, seria vitoriosa mesmo se tivesse sido perdida e que por ser vitoriosa se tornou ainda mais edificante, foi para os italianos a revelação da nova Itália e do Estado em que tomou corpo e em que existe.
3. Foi a revelação da essência idealista do Estado e da nação, da sociedade, da pátria, encontrada no próprio ânimo que é fonte secreta do que o indivíduo pode ver na sua consciência como conteúdo real da sua personalidade. Digo essência idealista, apesar de não faltar entre os fascistas bem pensantes quem se assuste ao ouvir falar de idealismo. Mas entendamo-nos. É preciso reconhecer que o Estado, como a experiência da guerra o revelou num relâmpago à reflexão amadurecida dos italianos que pensam a pátria, não é qualquer coisa a que dão o ser cada um dos indivíduos materialmente existentes por si e como se apresentam no espaço, em que cada homem é exterior a todos os outros, a todas as coisas que o circundam, em que todas estão excluídas do seu âmbito, em suma, onde tudo é particular e diferenciado, de modo que onde está isto não está aquilo e em que o ser é o não-ser do outro. Esse individualismo atómico foi visado na Itália por Mazzini e condenado como materialismo grosseiro. E com razão. Pode repudiar-se a concepção materialista do mundo, professar com o máximo de boa fé o espiritualismo e falar então de espaço ideal a distinguir do empírico (o único que existe), onde se colocam todos os entes materiais; mas, reflectindo bem, será fácil descobrir que esse espaço ideal postulado é uma simples metáfora e que o limite, apesar de tudo afirmado entre ente e ente, anula a liberdade que é essencial ao espírito e precipita o que se denomina por espírito numa materialidade férrea. Em síntese: há que entender que a realidade graças à qual o indivíduo humano atinge os caracteres constitutivos da sua natureza humana com que pensa, sente, quer e ganha uma personalidade, não é a particularidade superficial que o diferencia de todos os outros, é algo de universal, o fundo do ser, que não se vê com os olhos, que não é objecto de experiência, mas condição desta. Um exemplo: o indivíduo fala ou consegue falar pronunciando certas palavras ditas em certo momento e em certo lugar num tom pessoal único e inconfundível; no entanto, essas palavras, mesmo se ninguém as ouve, só podem ser pronunciadas porque fazem parte de uma língua que não é sua em particular, mas da gente a que pertence, que fala para se fazer entender: e embora se renove continuamente na boca do poeta — e em geral do homem — numa perpétua criação original, a língua contém sempre uma virtude expansiva graças à qual será recolhida, cedo ou tarde, por toda a alma honesta.Sem esse valor universal, o indivíduo não falaria, não poderia exprimir-se, seria como uma pedra, ficaria fechado em si mesmo e totalmente mudo, condição de que se afasta ao balbuciar em silêncio no seu íntimo as palavras que repetirá em voz alta mas que, mesmo guardadas no coração, romperam já a crisálida do espírito para o grande voo da vida infinita.Donde quer que brotem linguagem e razão, sentido do divino e do belo, boa vontade e lei, a humanidade espiritual é um valor universal a que adere e se adequa a actividade do homem para pôr em acto essa humanidade. Face à qual, por outro lado, não é dado ao homem recalcitrar e opor-se ou colocar-se de modo absoluto fora da lei; porque ele existe e vive dentro dessa atmosfera, o mínimo suspiro seu insere-se no ritmo da realidade universal para cuja realização, querendo ou não, concorre com maior ou menor consciência.A imanência e radical imediação dos valores universais da vida humana à consciência e vontade de cada indivíduo foi a ideia que relampejou na mente genial de Benito Mussolini perante o espectáculo da mais florescente e prometedora juventude a morrer pela pátria, daquela juventude que ele, desdenhando agora a triste companhia dos antigos companheiros de fé, individualistas, de facto pacifistas e neutralistas, com ímpeto e ardor de apóstolo tinha chamado às armas, à guerra, por uma Itália presente, orgulhosa da sua força e da sua missão, a uma competição que decidiria a sorte da Europa e do mundo.4. Nos campos de batalha, face ao trágico dilema da morte ou da vida, nas horas lentas de vigília na trincheira, o antigo socialista, a cujos ouvidos chegavam ainda os monótonos e criminosos sussurros da longínqua Câmara, via surgir diante de si, gigantesca, a imagem da pátria, viu-a no fulgor da sua luz gloriosa e compreendeu-a com a inteligência que o amor dá. Viu a pátria viva e real no Estado, unidade consciente da nação, viu que essa unidade não é, por assim dizer, o resultado, o efeito da concordância voluntária e da fusão dos ânimos, das inteligências e das vontades individuais, mas o princípio de toda a vida espiritual que circula nas almas, inteligências e vontades dos indivíduos singulares e que faz deles, não cidadãos da cidade abstracta, mas membros incindíveis de um organismo vivo nas suas determinações históricas, com um território e um passado que é uma tradição e, por isso, o conteúdo da consciência do povo e, logo, uma posição, um ideal, um programa.O liberalismo desapareceu e, com ele, utopias e fantasias internacionalistas. Apagaram-se nas almas pelo próprio desencadear da guerra, com a qual, naturalmente, toda a nação foi constrangida pelas férreas leis da vida a fundir-se no cadinho de um interesse único, esmagador, de toda a singular veleidade dos indivíduos e das classes sociais resultante da reunião artificial das energias individuais, retirada da conexão viva e vital da economia nacional. As classes sociais foram precipitadas no seio da nação, isto é, na unidade do Estado. Mas este mostrara-se em acto, não o Estado do velho conceito liberal, do velho direito de natureza, que se apoiava desde há séculos no indivíduo, única substância espiritual e ética, para minar o despotismo que depois da comuna medieval foi a primeira forma do Estado moderno e a arma das pessoas singulares e das classes nobres e burguesas que tentavam enfraquecer o poder dos príncipes, e também da Igreja, que se servia das teorias jusnaturalistas e contratualistas para pôr em causa a autoridade do Estado sempre que este se empenhava em afirmar a própria autonomia e a libertar-se de toda a ingerência eclesiástica. Até à revolução francesa e ao constitucionalismo liberal do século XIX, há uma palavra para que todos apelam e da qual todos ou quase todos abusam: liberdade. Palavra que em certos momentos o Fascismo despiu de todo o significado, como pode parecer, quando a verdade é o inverso; a liberdade do jusnaturalismo, do contratualismo, do liberalismo clássico, é uma liberdade que se pretende atribuir especificamente ao indivíduo particular quando este, na realidade, é a negação da liberdade. Com efeito, quem diz indivíduo e o abstrai do Estado, diz sujeito limitado no agir, no querer e no pensar, oposto, portanto, à lei, não se vendo, e é vão pretender ver, como possa conformar-se e submeter-se racionalmente, destinado como está, em função do seu limite, a ser negado, isto é, oprimido, esmagado, aniquilado pela força da mesma lei, se esta tem força para se fazer valer face à vontade individual. Quem diz liberdade, diz atributo de um sujeito que, pela universalidade do seu querer, não tem limites nem condições e não tem uma lei frente a si que lhe comprometa de algum modo a autonomia. A liberdade é, pois, uma pretensão ilegítima e vã; é a procura de um tesouro onde não pode ser encontrado. Por isso, verdadeiramente, não foi procurado e trocado por um nome vão. A liberdade do individualismo, seja qual for a forma de a entender, é a tentativa louca de fazer baixar violentamente do mundo do espírito ao da matéria a prerrogativa divina do homem, onde só poderá ser sufocada. Se se quer liberdade, esta não poderá exigir-se e obter-se senão para o homem que é homem, para o homem que actua porque pensa e que pensa porque fala, que possui uma linguagem, uma razão, um costume, uma lei que o envolve à maneira de estojo de jóias; para o homem que não sendo esse ser particular, aparece com a sua pessoa física no mundo do espaço embora limitado a confins estreitos, mas é pessoa moral, natureza infinita e eterna e demonstra sê-lo quando cria ao falar os eternos fantasmas da arte num mundo sem espaço e sem tempo em que os espíritos de uma região e época se unem de facto e são irmãos cor cordium; que demonstra sê-lo, raciocinando com argumentos sobre os quais todos estão prontos a concordar e que, pelo menos, de jure, se mostra de um pensamento só; que, cumprindo uma lei de conduta revestida de esplendor moral, demonstra ser objecto de admiração e aplauso universal. Ou o homem vê e sente em si essa natureza que lhe infunde no coração a fé segura de poder com as próprias forças ser digno, por assim dizer, perante os outros homens e perante Deus, ou cabe-lhe abandonar a orgulhosa pretensão de liberdade.O homem livre é realmente individualidade, originalidade, é ele-mesmo. É-o, porém, na medida em que aquilo que é pensamento e acção não se fecha em si, não tem significado exclusivo para si, mas que irradia do seu coração e cérebro e se expande em redor como luz que aquece e ilumina todos os corações e cérebros. A todos, de mãos dadas, dos mais vizinhos aos mais distantes, da família ao Estado, a universalidade do espírito encontra uma forma positiva e concreta, já que no Estado a lei é lei positiva, com uma validez que representa força e potência efectivas.5. Segundo a profunda concepção do homem a que o Fascismo aderiu, o Estado é, pois, a actualização da humanidade interior do homem, a forma deste começar a sentir realizada a sua universalidade.Com o seu poder soberano, o Estado é o próprio homem, a própria consciência individual ou personalidade reflectida na sua natureza e capacidades que, por isso mesmo, desce às raízes da fé de que é portador se possui a coragem de falar e de agir. É assim que o homem se vê dotado da virtude expansiva de se procurar e encontrar, de sair de si e se projectar nos filhos, nos concidadãos, na terra que o acolheu em criança e o alimentou, onde vive chez soi, num mundo com uma forma determinada pelo poder reconhecido e que, além disso, sabe fazer reconhecer-se.O Estado fascista é o Estado cuja existência, cujo fundamento, cujo princípio de realização está, não acima e fora, mas dentro da própria alma do cidadão: é a forma concreta, activa, positiva, do seu efectivo e actual querer.
6. A unidade do indivíduo e do Estado é um princípio que suscita apreensões e alarmes aos não familiarizados com os conceitos ou aos que tomam as coisas pela rama (filósofos materiais, como diria Platão). — O Estado está na vontade do indivíduo? Só existe o indivíduo e o indivíduo é tudo. Logo, pelo menos anarquia, inconsciente e potencial. — O indivíduo tem a sua vontade legítima na vontade do Estado? Logo, panteísmo e estatolatria, ou seja, autoritarismo despótico e aniquilamento da personalidade, isto é, morte da liberdade —.Quase seria desnecessário dizer que são estas as suspeitas e as acusações com que o Fascismo depara, sobretudo entre os estrangeiros que não o conhecem de perto, que ignoram a sua génese e as suas tendências e não são capazes de entender o amplíssimo movimento nacional que encontrou na pessoa de Mussolini o seu herói, a sua voz e a sua vontade.Para os mais familiarizados com os conceitos e, portanto, preparados para entenderem os caracteres diferenciais de uma doutrina política, será útil advertir que esta unidade de Estado e cidadão não é de modo algum um conceito arbitrário ou uma espécie de invenção. Essa unidade é o conceito adequado à essência do Estado; é a essência mesma do Estado, que nunca foi outra coisa que a coincidência entre a vontade do indivíduo singular, membro da sociedade política real, e da vontade do Estado, que confere actualidade a tal sociedade. Seja qual for o nome que lhe chamem, não há Estado que, quanto à sua existência, possa viver de outra coisa que não seja o consenso. O consenso entre governantes e governados é mais ou menos espontâneo, mas, na medida em que os governantes governem, haverá sempre um consenso e a vida efectiva do Estado medir-se-á sempre pelo grau de consenso estabelecido entre aqueles dois termos.Então, qual a diferença entre individualismo e Fascismo? Trata-se de concepções opostas e dos consequentes métodos e sistemas de conduta política. A primeira, orientada para o particular, tende a dissolver o Estado e a destruir o centro vital do organismo social; a outra, orientada para o universal e para a unidade, veria extinguir-se na individualidade a fonte da livre originalidade em que se desenvolve a vida do espírito se não fosse temperada com o apelo sistemático e constante ao homem vivo, ao cidadão artífice da fortuna, do bem-estar e da grandeza da pátria e do poderio do Estado, como fez energicamente o Fascismo através da educação unitariamente orientada pela noção do ideal patriótico, que só a entrega do indivíduo pode traduzir em realidade séria e viva, graças à constituição que revitaliza e valora a iniciativa e a responsabilidade do singular perante os interesses próprios e colectivos.O problema do equilíbrio dos dois termos na dialéctica da vida social e na vida do espírito em geral é o próprio problema da unidade do princípio no qual os dois termos coexistem em constante reciprocidade de fé e acção. É o problema central da política do Fascismo. Os que vêm esse movimento — que sacudiu e potenciou todas as energias vivas da nação italiana e fez dela uma das maiores potências do mundo, uma das forças que mais eficazmente operam na história universal, amada ou odiada, é certo, mas presente desde agora no grande drama em que se confrontam os maiores interesses materiais e morais da Europa e, por isso, de todos os continentes — os que, repito, vêm esse movimento como um movimento anti-liberal e contrário ao espírito que anima toda a história moderna, não conhecem o Fascismo nem a liberdade e traçam com a sua fantasia uma imagem falaciosa do mundo moderno. Nós, fascistas, não somos corujas contrárias à ideia de um sol que ilumine com luz cada vez mais viva o espírito humano desde que este derrubou certos preconceitos medievais e fez sentir ao homem toda a responsabilidade que lhe cabe como artífice do próprio destino e, por isso, do mundo em que o seu destino se cumpre. Na luta travada contra os velhos sistemas (e em que persistirá, certamente, seguro da vitória final) nunca o Fascismo pensou abolir o tesouro que em si mesmo é a maior conquista da civilização: a liberdade (isto é, aquele pouco de liberdade que é possível obter-se no processo histórico real da civilização). Se é certo que combateu a suja e desbragada democracia de radicais e individualistas de todo o género, não deixou de advertir que se considera a si mesmo a verdadeira democracia; a democracia do povo real e dos seus interesses e direitos reais, não dos artificiais e sofisticados, inventados pela representação fictícia de porta-vozes estranhos a esses interesses e pela política pessoal, personalizada, mesquinha, corruptora da política recta da nação. O Fascismo quer a liberdade, mas a única e autêntica; quer democracia, sim, mas a democracia verdadeira: a dos cidadãos que têm a pátria no peito e não ignoram que a sua vida está na salvação da pátria; cidadãos-soldados prontos a obedecer à voz que exprime a vontade da pátria, prontos a sacrificar-lhe toda a comodidade, pequena ou grande, da pessoa particular e até a própria vida.7. Palavras bonitas? Mas tais palavras estão no coração de homens que, na dedicação absoluta ao ideal, foram soldados e mártires da sua fé, de homens que ofereceram e oferecem a própria existência. Quantos? A realidade e, portanto, o valor de uma ideia histórica, não se mede pelo número de adeptos que a serviram, mas pela sinceridade, pelo génio, pela energia espiritual luminosa e criadora dos poucos que acreditaram nela e daquele que ergueu o pendão dessa fé e teve a virtude de arrastar multidões. A história não é feita por heróis nem por massas, mas pelos heróis que acolheram no coração o frémito secreto e o ímpeto potente das massas, e pelas massas que só fazem história quando encontram num homem a consciência da sua alma obscura.Na verdade, o mundo moral é o das multidões, mas das multidões governadas e postas em movimento por uma ideia de traços precisos que se revela apenas a poucos, à elite que dá forma e vida à história. Multi vocati, pauci vero electi.Por outro lado, o fascista sente e afirma que a realidade humana não é imobilidade, não é uma forma que tomou acto de uma vez para sempre. A sua política é a política da vida, do movimento, do devir; de um estado que é sempre e não é nunca, num equilíbrio instável que é desenvolvimento; é uma luta de elementos contrastantes que prevalecem alternadamente e que só no infinito realizam o ideal, a lei e o motivo da luta. Os palradores de Genebra (se é que ainda há alguns depois de tantas lições de realismo político) e das cidades idilicamente enamoradas e adoradoras dos falsos ídolos da paz e da fraternidade, opõem-se e condenam com gritos de escândalo e cinismo a sinceridade do italiano de novo estilo; o fascista sente e afirma que a vida não é imobilismo, mas movimento, que não está na paz — tão cara aos que estão bem e que, por isso, se mantêm imóveis — mas na guerra sagrada, em todos os tempos, nos que não se abandonam negligentemente ao instinto, que encontram no coração a justiça que é preciso ainda pôr em acto e que vêm as lágrimas que há que enxugar no homem; em suma, concebe a sua existência como milícia ao serviço de um ideal — não, decerto, da subjugação egoísta dos outros — de um mundo em que todas as aspirações legítimas sejam satisfeitas. Ideal do indivíduo singular, ideal das nações, ideal humano. Ideal do homem que nunca verá esgotada a sua tarefa e que olhará ansiosamente o mundo de amanhã, não como um sonho, mas, muito seriamente, como uma realidade.Fadiga diária, fadiga incessante de alma em vigília, a toda a hora, fixado no fim a atingir, sempre atingido mas nunca atingido.8. Nesta viril concepção da vida está o princípio da teoria fascista que define o Estado como organismo ético: isto é, como consciência e vontade em acto, na qual desemboca e actua plenamente a consciência e a vontade do indivíduo na sua essência moral e religiosa. O que se persigna ao ouvir falar do carácter ético e, por isso, totalitário, do Estado fascista, que na sua actividade consciente resolve por completo toda a forma de actividade humana, económica ou religiosa, separa o Estado do valor moral, ao qual, no entanto, este ascende e se adapta, e considera-o coisa meramente temporal, ou melhor dizendo, material; esse é culpado de condenar à amoralidade absoluta o Estado, ou seja, todo o cidadão portador de vontade estadual, como condena os animais e todas as coisas que, por não terem em si o princípio da moralidade, não poderão recebê-lo do exterior.O Estado fascista é um Estado ético, uma vez que a estricta, completa e concreta vontade humana não pode não ser ética. É também um Estado religioso. Não significa isto que seja um Estado confessional, mesmo que ligado com tratados e concordatas a determinada Igreja, como está ligado o Estado italiano. A limitação que tais tratados e concordatas trazem à liberdade do Estado (que no Estado moderno, isto é, segundo a consciência moderna, não pode deixar de ser liberdade absoluta) é uma auto-limitação semelhante à que o espírito humano pratica para se fixar numa forma concreta; semelhante àquela que faz com que o italiano não abdique da sua liberdade quando, para falar, é obrigado a falar uma língua determinada à qual deve sujeitar-se por possuir uma gramática. Na realidade histórica da nação, o Fascismo sentiu que ser religioso equivale a ser católico. Para adequar o Estado à personalidade do italiano, foi ao encontro da Igreja católica, pôs fim ao velho dissídio e pacificou nos ânimos pátria e religião sem nunca ter deixado de manter intacta e intangível a sua autonomia frente à Igreja. Por essa razão, reivindicou o direito à educação das novas gerações que a Igreja, curadora de almas, reservava para si como matéria da sua exclusiva competência.9. O carácter totalitário e ético do Estado fascista permaneceria uma exigência ou uma afirmação teórica se esse Estado não resolvesse em si ou, como hoje se prefere dizer na Itália, não enquadrasse a massa do povo nos seus objectivos, categorias e especificações económicas e nas suas directrizes e orientações espirituais e morais. A reforma constitucional que o regime fascista pôs em estudo a 24 e que em 27 foi proposta nos seus postulados fundamentais na Carta del Lavoro, desenvolveu-se sem improvisações apressadas com as leis de 20 de Março de 1930 e de 5 de Fevereiro de 1934 sobre o Conselho Nacional das Corporações e sobre a constituição e funções destas, bem como com a criação da Câmara dos Fascios e das Corporações. Dessa transformação do Estado bastará indicar o conceito central que a inspira na totalidade.O conceito de unidade de nação orgânica, não amorfa e abstracta mas determinada, específica e concreta, é o Estado; neste, reside a vontade universal, não como uma forma vazia que se impõe ao conteúdo, mas como a própria forma conaturada com esse conteúdo, ou seja, do indivíduo na plenitude das determinações da sua personalidade. Personalidade produtiva, mas não justaposta indiferenciadamente às múltiplas unidades produtivas coexistentes e reunidas naquilo a que Hegel chamava o atomismo da sociedade civil ou económica (como se quiser). Nas suas especificações e mútuas relações, o Fascismo concebe a produção num sistema orgânico onde o indivíduo vê a própria obra conexa com a de todos os outros; não mais simples actividade económica, mas actividade moral e política simultâneas porque determinada segundo um sistema de relações derivadas do interesse supra-individual da nação à qual todos os interesses do homem económico se subordinam e na qual todos os antagonismos de indivíduos e classes são harmonizados e resolvidos. A economia torna-se política, não apenas em palavras, mas abertamente, põe-se em acção o princípio da intervenção do Estado (que, de resto, actuou sempre, mau grado certos dogmatismos teóricos) na regulamentação das relações económicas. Fazer coincidir a organização política com a especificação económica da nação, inserir o indivíduo real e vivo no sistema do Estado e dar-lhe a possibilidade de desenvolver activamente a sua livre actividade como brota das suas necessidades, do seu interesse e, ao mesmo tempo, da sua consciência política (fascisticamente política), é o mais poderoso e significativo esforço da Revolução Fascista no sentido de tornar a liberdade, que no passado era um ideal de vida longínquo, uma realidade concreta e efectiva.
(Uma síntese de Giovanni Gentile)
Hoje é muito comum ver jovens de camisetas com a estampa do Che Guevara, como se ele fosse um herói, um santo. Sei que muitos vão me criticar, mas é legal levantar este tipo de discussão, Futebol, politica e religião se discutem SIM!
Peguei os ítens do livro: "O Livro Negro do Comunismo" (Le Livre Noir du Communisme)
Conheçamos Che Guevara, um homem retratado à feição de um Jesus Cristo mas que poucos conhecem sua verdadeira face. Examinemos seus mestres, seus ídolos e os países que admirava:
* Lênin, o fundador do Estado Soviético, um dos ídolos de Che Guevara, disse em 1891: "A fome tem várias conseqüências positivas (...) a fome nos aproxima de nosso alvo final, o socialismo, etapa imediatamente posterior ao capitalismo. A fome destrói assim a fé não somente no Czar, mas também em Deus".
* Depois, em 1921, por ocasião de uma grande fome, quando já era o líder máximo, Lênin reafirmou que "a fome deveria servir para ferir mortalmente o inimigo (Igreja Ortodoxa)". E foi mais além, proibiu ajuda aos famintos. Quem os ajudasse, poderia ser até preso. Pereceram nessa fome 6 milhões de pessoas.
* Che Guevara estudou Lênin, admirou-o, e provavelmente leu também o seguinte discurso leninista: "É preciso lutar contra a religião", "o marxismo é incondicionalmente ateu, decididamente hostil a qualquer religião".
* Stalin, uma das figuras mais perversas deste século. Responsável diretamente por milhões de mortos, pelos processos de Moscou, pela fome deliberada na Ucrânia, pelo Gulag. Seus crimes foram denunciados por Krushev a partir de 1956.
* Foi essa figura a quem Che Guevara jurou: "diante de um retrato velho e prateado do camarada Stalin, jurei não descansar até ver esses polvos capitalistas aniquilados". Por ocasião de sua visita a Moscou, Che ficou bravo com o embaixador cubano porque este se opôs a depositar flores no mausoléu de Stalin.
* A Mao Tse Tung, Che tinha grande admiração, e o conheceu pessoalmente numa viagem a China. Qual era o motivo da admiração? Talvez porque Mao tenha ordenado a invasão do Tibet nos anos 50, na qual 1 milhão de pessoas morreram (1 em cada 8 habitantes), e na qual monges foram enterrados vivos. Talvez por ter instalado na China uma das mais perversas ditaduras de que a história teve notícia ...
* Che também admirava desde jovem os comunistas da Guerra Civil Espanhola. Esses comunistas ficaram famosos por torturar, esquartejar e matar padres durante a guerra. Um dos comunistas que participou da guerra civil, Angel Ciutah, ajudou Che a criar o serviço de segurança do Estado, para proteger o estado revolucionário cubano.
* O serviço de segurança ficou famoso depois da morte de Che porque era um exemplo de eficiência na arte da tortura, das provas forjadas e dos assassinatos. Huber Matos, que lutou ao lado de Che e Fidel, foi a primeira das vítimas. Apenas porque discordou do "comandante", foi executado.
* Che dizia que a solução para os problemas do mundo estava atrás da Cortina de Ferro. O que havia lá de tão excelente? Além do Gulag, da perseguição religiosa, dos massacres, da fome premeditada, das polícias políticas? E havia o Muro de Berlim na Alemanha Oriental... Quem quisesse escapar da miséria pulando o muro era fuzilado.
* Em 1956 na Polônia a multidão, num protesto contra o governo totalitário, gritava "pão e liberdade". Foi reprimida a bala, o que ocasionou dezenas de mortos.
* Em 1956, na Hungria, houve a revolução anti-totalitária, na qual a população resistiu com armas na mão contra a invasão soviética. Pereceram 3.000 pessoas; 200.000 fugiram.
* Talvez a solução dos problemas do mundo estivesse com o camarada Enver Hoxa, que proscreveu a religião na Albânia, ou então com os expurgos internos de Tito na Iugoslávia, ou ainda com o governo corrupto de Ceaucescu na Romênia.
* Por que Che escreveu: "Dos países que visitamos, a Coréia do Norte é um dos mais extraordinários" ? Talvez ele tenha gostado da Guerra da Coréia provocada pelo governo do norte, na qual 500.000 pessoas morreram; talvez tenha admirado o grande expurgo interno promovido por Kim Il Sung ocorrido algum tempo antes de sua visita, no qual o líder coreano perseguiu e matou milhares de opositores do regime.
* Por que Che disse: "na China não se vê nenhum dos sintomas de miséria que se vêem em outros países"? Deve ter-se referido ao "grande salto para frente" de Mao, projeto econômico na China, envolvendo entre outras coisas a coletivização forçada. O resultado do projeto foi a maior fome de toda a história. Mao chegou a exportar comida e impediu a aceitação de ajuda externa. Pereceram mais de dez milhões de chineses.
* Che disse: "Cuba devia seguir o exemplo de desenvolvimento pacífico mostrado pela URSS". O que era "desenvolvimento pacífico" para ele? O racionamento de comida feito por Lênin? O Gulag? Os expurgos de Stalin? A política anti-religiosa de Krushev? A burocracia corrupta de Brejnev? Os inúmeros massacres e perseguições que o Partido Comunista impôs aos soviéticos?
* Realmente, Cuba, a ilha-prisão, seguiu bastante o exemplo da URSS: corrupção, expurgos internos, assassinatos, repressão, campos de trabalho forçado (que Che ajudou a construir) etc. Mas o que mais caracterizou a revolução cubana foi o "Paredón", em que Che teve participação ativa, principalmente em La Cabaña. Quantos ele matou lá? 300, 400?
* Junto aos seus ídolos Lênin, Stalin, Mao e companhia, Che contribuiu para a construção do regime que mais matou pessoas em toda a história, o chamado "socialismo real", responsável por mais de 100 milhões de mortos.
* Mas talvez nem esses 100 milhões de vítimas ainda não bastem para derrubar esse mito que transformou um criminoso arrogante e intolerante com sua ideologia mentirosa em um santo aos olhos daqueles com preguiça de aprender História.

A FRASE MAIS FAMOSA ATRIBUÍDA A GUEVARA É...
"Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura."
...OUTRAS MENOS CONHECIDAS REVELAM SUA REAL PERSONALIDADE:
"Estou na selva cubana, vivo e sedento de sangue."
Carta à esposa, Hilda Gadea, em janeiro de 1957
"Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte."
Discurso na Assembléia-Geral da ONU, em 11 de dezembro de 1964
"O ódio intransigente ao inimigo (...) converte (o combatente) em uma efetiva, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados têm de ser assim."
Revista cubana Tricontinental, em maio de 1967
CUBA
Apesar de tentar exportar sua revolução, a ilha tornou-se a vitrine de seu fracasso. Sem liberdade política nem econômica, o país é um museu de prédios, carros e dirigentes decrépitos, onde comida, combustíveis e energia são racionados.
BOLÍVIAO foco guerrilheiro de Guevara foi derrotado pela população pobre da Bolívia, que negou ajuda e ainda delatou o grupo.
CONGO
Guevara e um contingente de cubanos lutaram ao lado do chefe tribal Laurent Kabila contra o coronel Mobutu. Em 1997 Kabila finalmente derrubou Mobuto, mas foi assassinado em 2001. Em seu curto governo, 3 milhões de pessoas foram mortas em guerras tribais.
CHINA
A ideologia de Mao Tsé-tung, que Guevara citava como modelo de comunismo, foi sepultada pelos chineses.
COMUNISMO
Depois da queda do Muro de Berlim, a ideologia será lembrada sobretudo como a responsável pela morte de 100 milhões de pessoas.
VIETNÃ
Na frase famosa, Guevara propôs criar "dois, três, muitos Vietnãs". Acertou. A globalização da economia está criando Vietnãs pelo mundo – países adeptos da economia de mercado, com rápido crescimento econômico e aliados dos Estados Unidos.
Materia interessantíssima que saiu na veja sobre o carniceiro comunista:
Título: Che - Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa
Texto : Diogo Schelp e Duda Teixeira
Link :http://veja.abril.com.br/031007/p_082.shtml
"Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto." Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada. Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia, o apelo desesperado pela própria vida e o reconhecimento sem disfarce da derrota não combinam com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido".
Essa é a realidade esquecida. No mito, sempre lembrado, ecoam as palavras ditas ao tenente boliviano Mário Terán, encarregado de sua execução, e que parecia hesitar em apertar o gatilho: "Você vai matar um homem". Essas, sim, servem de corolário perfeito a um guerreiro disposto ao sacrifício em nome de ideais que valem mais que a própria vida. Ambas as frases foram relatadas por várias testemunhas e meticulosamente anotadas pelo capitão Gary Prado Salmón, do Exército boliviano, responsável pela captura de Che. Provenientes das mesmas fontes, merecem, portanto, idêntica credibilidade. O esquecimento de uma frase e a perpetuação da outra resumem o sucesso da máquina de propaganda marxista na elaboração de seu maior e até então intocado mito. Che tem um apelo que beira a lenda entre os jovens dos cinco continentes. Como homem de carne e osso, com suas fraquezas, sua maníaca necessidade de matar pessoas, sua crença inabalável na violência política e a busca incessante da morte gloriosa, foi um ser desprezível. "Ele era adepto do totalitarismo até o último pêlo do corpo", escreveu sobre ele o jornalista francês Régis Debray, que por alguns meses conviveu com Che na Bolívia.
Por suas convicções ideológicas, Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro. Entre a captura e a execução de Che na Bolívia, passaram-se 24 horas. Nesse período, o governo boliviano e os americanos da CIA que ajudaram na operação decidiram entre si o destino de Guevara. Execução sumária? Não para os padrões de Che. Centenas de homens que ele fuzilou em Cuba tiveram sua sorte selada em ritos sumários cujas deliberações muitas vezes não passavam de dez minutos.
VEJA conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha e no governo cubano na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas. Seu retrato clássico – feito pelo fotógrafo cubano Alberto Korda em 1960 – é a fotografia mais reproduzida de todos os tempos. O mito é particularmente enganoso por se sustentar no avesso do que o homem foi, pensou e realizou durante sua existência. Incapaz de compreender a vida em uma sociedade aberta e sempre disposto a eliminar a tiros os adversários – mesmo os que vestiam a mesma farda que ele –, Che é, paradoxalmente, visto como um símbolo da luta pela liberdade. Guevara é responsável direto pela morte de 49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia. Eles foram mobilizados para defender a soberania de sua pátria e expulsar os invasores cubanos, sob cujo fogo pereceram. Tendo ajudado a estabelecer um sistema de penúria em Cuba, Che agora é apresentado como um símbolo de justiça social. Politicamente dogmático, aferrado com unhas e dentes à rigidez do marxismo-leninismo em sua vertente mais totalitária, passa por livre-pensador.
O regime policialesco de Fidel Castro não permite que aqueles que conviveram com Che e permanecem em Cuba possam ir além da cinzenta ladainha oficial. Por isso, apesar do rancor que pode apimentar suas lembranças, os exilados cubanos são vozes de maior credibilidade. O movimento que derrubou o ditador Fulgencio Batista, em 1959, não foi uma ação de comunistas, como pretende Fidel Castro. Boa parte da liderança revolucionária e dos comandantes guerrilheiros tinha por objetivo a instauração da democracia em Cuba. Mas foi surpreendida por um golpe comunista dentro da revolução. Acabaram presos, fuzilados ou deportados. Desde o início, Che representou a linha dura pró-soviética, ao lado do irmão de Fidel, Raul Castro. Na versão mitológica, Che era dono de um talento militar excepcional. Seus ex-companheiros, no entanto, lembram-se dele como um comandante imprudente, irascível, rápido em ordenar execuções e mais rápido ainda em liderar seus camaradas para a morte, em guerras sem futuro no Congo e na Bolívia.
The New York Times
A "MALDIÇÃO DE SATURNO"
Com Fidel em Havana, em 1959: "Que esta revolução não devore seus próprios filhos", dizia Fidel. Ele fez o contrário. As últimas transmissões de rádio de Che na Bolívia foram ignoradas em Havana
Huber Matos, que lutou sob as ordens do argentino em Cuba, falou a VEJA sobre o fracasso de Che como comandante: "A luta foi difícil na primavera de 1958. A frente de comportamento mais desastroso foi a de Che. Mas isso não o afetou, porque era o favorito de Fidel, que nos impedia de discutir abertamente o trabalho pífio de seu protegido como guerrilheiro". Pouco depois do triunfo da guerrilha, ao perceber os primeiros sinais de tirania, Huber renunciou a seu posto no governo revolucionário e informou que voltaria a ser professor. Preso dois dias depois, passou vinte anos na cadeia. Vive hoje em Miami. À moda soviética, sua imagem foi removida das fotos feitas durante a entrada solene em Havana, em que aparecia ao lado de Fidel e Camilo Cienfuegos, outro comandante não comunista desaparecido em circunstâncias misteriosas nos primórdios da revolução.
Nomeado comandante da fortaleza La Cabaña, para onde eram levados presos políticos, Che Guevara a converteu em campo de extermínio. Nos seis meses sob seu comando, duas centenas de desafetos foram fuzilados, sendo que apenas uma minoria era formada por torturadores e outros agentes violentos do regime de Batista. A maioria era apenas gente incômoda.
Napoleon Vilaboa, membro do Movimento 26 de Julho e assessor de Che em La Cabaña, conta agora ter levado ao gabinete do chefe um detido chamado José Castaño, oficial de inteligência do Exército de Batista. Sobre Castaño não pesava nenhuma acusação que pudesse produzir uma sentença de morte. Fidel chegou a ligar para Che para depor a favor de Castaño. Tarde demais. Enquanto dava voltas em torno de sua mesa e da cadeira onde estava o militar, Che sacou a pistola 45 e o matou ali mesmo com balaços na cabeça. Em outra ocasião, Che foi procurado por uma mãe desesperada, que implorou pela soltura do filho, um menino de 15 anos preso por pichar muros com inscrições contra Fidel. Um soldado informou a Che que o jovem seria fuzilado dali a alguns dias. O comandante, então, ordenou que fosse executado imediatamente, "para que a senhora não passasse pela angústia de uma espera mais longa".
Em seu diário da campanha em Sierra Maestra, Che antecipa o seu comportamento em La Cabaña. Ele descreve com naturalidade como executou Eutímio Guerra, um rebelde acusado de colaborar com os soldados de Batista: "Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no lobo temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Seus bens agora me pertenciam". Em outro momento, Che decidiu executar dois guerrilheiros acusados de ser informantes de Batista. Ele disse: "Essa gente, como é colaboradora da ditadura, tem de ser castigada com a morte". Como não havia provas contra a dupla, os outros rebeldes presentes se opuseram à decisão de Che. Sem lhes dar ouvidos, ele executou os dois com a própria pistola. Essa frieza e a crueldade sumiram atrás da moldura romântica que lhe emprestaram, construída pelos mesmos ideólogos que atribuíram a ele a frase famosa – "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás". Frase criada pela propaganda esquerdista.
Como o jovem aventureiro que excursionou de motocicleta pelas Américas se tornou um assassino cruel e maníaco? O jornalista americano Jon Lee Anderson, autor da mais completa biografia de Che, escreveu que ele era um fatalista – e esse fatalismo aguçou-se depois que se juntou aos guerrilheiros cubanos. "Para ele, a realidade era apenas uma questão de preto e branco. Despertava toda manhã com a perspectiva de matar ou morrer pela causa", afirma Anderson.
Ernesto Guevara Lynch de la Serna nasceu em 14 de maio de 1928, em uma família de esquerdistas ricos na Argentina. Sofreu de asma a vida inteira. Antes de se formar em medicina, profissão que nunca exerceu de fato, viajou pela América do Sul durante oito meses. Depois de terminada a faculdade, saiu da Argentina para nunca mais voltar. Encontrou-se com Fidel Castro no México, em 1955, onde aprendeu técnicas de guerrilha. No ano seguinte, participou do desembarque em Cuba do pequeno contingente de revolucionários. Depois de dois anos de combates na Sierra Maestra, Fidel tomou o poder em Havana. Che ocupou-se primeiro dos fuzilamentos e, depois, da economia, assunto do qual nada entendia. José Illan, que foi vice-ministro de Finanças antes de fugir de Cuba, contou a VEJA que o argentino "desprezava os técnicos e tratava a nós, os jovens cubanos, com prepotência". No comando do Banco Central e depois do Ministério da Indústria, Che começou a nacionalizar a indústria e foi o principal defensor do controle estatal das fábricas. "Che era um utópico que acreditava que as coisas podiam ser feitas usando-se apenas a força de vontade", diz o historiador Pedro Corzo, do Instituto da Memória Histórica Cubana, em Miami. Como resultado de sua "força de vontade", a produção agrícola caiu pela metade e a indústria açucareira, o principal produto de exportação de Cuba, entrou em colapso. Em 1963, em estado de penúria, a ilha passou a viver da mesada enviada pela então União Soviética.
Não havia mais o que Che pudesse fazer em Cuba. Era ministro da Indústria, mas divergia de Fidel em questões relativas ao desenvolvimento econômico. De maneira simplista, ele acreditava que incentivos morais tinham maiores probabilidades de estimular o trabalho. Che também se tornou crítico feroz da União Soviética, da qual o regime cubano dependia para sobreviver. Não por discordar do Kremlin, mas porque julgava os soviéticos tímidos na promoção da revolução armada no Terceiro Mundo. Para se livrar dele, Fidel o mandou como delegado à Assembléia-Geral das Nações Unidas em 1964. No ano seguinte, Che foi secretamente combater no Congo, à frente de soldados cubanos. Ali, paralisado por incompreensíveis rivalidades tribais, derrotado no campo de batalha e abatido pela diarréia, Che propôs a seus comandados lutar até a morte. Mas foi demovido do propósito pela soldadesca, que não aceitou o sacrifício numa guerra sem sentido.
Daí em diante o argentino tornou-se uma figura patética. Em Havana, Fidel divulgara a carta em que ele renunciava à cidadania cubana e anunciava sua disposição de levar a guerra revolucionária a outras plagas. Pego de surpresa pela leitura prematura do documento, Che ficou no limbo, sem ter para onde voltar. "Sua vida foi uma seqüência de fracassos", disse a VEJA o historiador cubano Jaime Suchlicki, da Universidade de Miami. "Como médico, nunca exerceu a profissão. Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria. Como guerrilheiro, foi eficiente apenas em matar por causas sem futuro." Na falta de opções, Che escolheu a Bolívia para sua nova aventura guerrilheira. Ele lutaria em território montanhoso e inóspito, imerso na selva, sem falar o dialeto indígena dos camponeses bolivianos. O plano original era adentrar, pela fronteira, a província argentina de Salta. Mas um contigente exploratório foi aniquilado rapidamente pelo exército daquele país. A missão boliviana era, de todos os pontos de vista, suicida. Ainda assim, Fidel a apoiou, a ponto de designar alguns soldados de seu exército para o destacamento guerrilheiro. O ditador cubano também equipou e financiou a expedição, com a qual manteve contato até que seu fracasso se tornou evidente.
Além da falta de apoio do povo boliviano, que tratou os cubanos chefiados por Che como um bando de salteadores, a expedição fracassou também pela traição do Partido Comunista Boliviano. VEJA perguntou a um de seus mais altos dirigentes dos anos 60, Juan Coronel Quiroga: "O PCB traiu Che Guevara?". Resposta de Quiroga: "Sim". A explicação? "Nosso partido era afinado com Moscou, onde a estratégia de abrir focos de guerrilha como a de Che estava há muito desacreditada." Quiroga era amigo pessoal do então ministro da Defesa da Bolívia e conseguiu que as mãos do cadáver de Che Guevara fossem decepadas, mantidas em formol e entregues a ele. "Por anos guardei as mãos de Che debaixo da minha cama em um grande pote de vidro. Um dia meu filho deparou com aquilo e quase entrou em pânico", conta Quiroga. Anos mais tarde, coube a Quiroga a missão de entregar o lúgubre pote com as mãos de Guevara à Embaixada de Cuba em Moscou.
A morte de Che foi central para a estabilização do regime cubano nos anos 60, de acordo com o polonês naturalizado americano Tad Szulc, na sua celebrada biografia de Fidel. O fim do guerrilheiro argentino ajudou o ditador a pacificar suas relações com Moscou e ainda lhe forneceu um ícone de aceitação mais ampla que a própria revolução. O esforço de construção do mito foi facilitado por vários fatores. Quando morreu, Che era uma celebridade internacional. Boa-pinta, saía ótimo nas fotografias. A foto do pôster que enfeita quartos de milhões de jovens foi tirada num funeral em Havana, ao qual compareceram o filósofo francês Jean-Paul Sartre – que exaltou Che como "o mais completo ser humano de nossa era" – e sua mulher, a escritora Simone de Beauvoir. A foto de 1960 só ganhou divulgação mundial sete anos depois, nas páginas da revista Paris Match. Dois meses mais tarde, Che foi morto na selva boliviana e Fidel fez um comício à frente de uma enorme reprodução da imagem, que preenchia toda a fachada de um prédio público cubano. Nascia o pôster.
Três fatos ajudaram a consolidar o mito. O primeiro foi a morte prematura de Che, que eternizou sua imagem jovem. Aos 39 anos, ele estava longe de ser um adolescente quando foi abatido, mas a pinta de galã lhe garantia um aspecto juvenil. O fim precoce também o salvou de ser associado à agonia do comunismo. A decadência física e política de Fidel Castro, desmoralizado pela responsabilidade no isolamento e no atraso econômico que afligem o povo cubano, dá uma idéia do que poderia ter acontecido com Che, que era apenas dois anos mais jovem que o ditador.
O segundo fato foi a ajuda involuntária de seus algozes. Preocupados em reunir provas convincentes de que o guerrilheiro célebre estava morto, os militares bolivianos mandaram lavar o corpo e aparar e pentear sua barba e seu cabelo. Também resolveram trocar sua roupa imunda. Tudo isso para poder tirar fotos em que ele fosse facilmente identificado. O resultado é um retrato com espantosa semelhança com as pinturas barrocas do Cristo morto de expressão beatificada. A terceira contribuição recebida pelos esquerdistas na construção do mito veio do contexto histórico. Che morreu às vésperas dos grandes protestos em defesa dos direitos civis, da agitação dos movimentos estudantis e da revolução de costumes da contracultura – turbulências que marcaram o ano de 1968. Era um personagem perfeito para ser símbolo da juventude de então, que se definia pela "determinação exacerbada e narcisista de conseguir tudo aqui e agora", como escreveu o mexicano Jorge Castañeda, em sua biografia de Che. A história, no entanto, mostra que o homem era muito diferente do mito. Mas quem resiste? Neste mês, nos Estados Unidos, o cubano Gustavo Villoldo, chefe da equipe da CIA que participou da captura do guerrilheiro, vai leiloar uma mecha de cabelo de Che.
Se houve um ganhador da Guerra Fria, foi Che Guevara. Ele morreu e foi santificado antes que seu narcisismo suicida e os crimes que decorreram dele pudessem ser julgados com distanciamento, sob uma luz mais civilizada, que faria aflorar sua brutalidade com nitidez. Pobre Fidel Castro. Enquanto Che foi cristalizado na foto hipnótica de Alberto Korda, ele próprio, o supremo comandante, aparece cada dia mais roto, macilento, caduco, enquanto se desmancha lentamente dentro de um ridículo agasalho esportivo diante das lentes das câmeras da televisão estatal cubana. O método de luta política que Guevara adotou já era errado em seu tempo. No rastro de suas concepções de revolução pela revolução, a América Latina foi lançada em um banho de sangue e uma onda de destruição ainda não inteiramente avaliada e, pior, não totalmente assentada. O mito em torno de Che constitui-se numa muralha que impediu até agora a correta observação de alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas. Está passando da hora de essa muralha cair.
O Neofascismo é uma ideologia pós-II Guerra Mundial a qual inclui elementos significativos do fascismo. O termo neofascista pode ser aplicado a grupos que expressem uma admiração específica por Benito Mussolini e pela Itália fascista. O neofascismo geralmente inclui nacionalismo, nativismo, anticomunismo e oposição ao sistema parlamentarista e à democracia liberal. A alegação de que um grupo seja neofascista pode ser calorosamente contestada, particularmente se o termo for usado como um epíteto político. Alguns regimes pós-II Guerra Mundial têm sido descritos como neofascistas devido a sua natureza autoritária, e, às vezes, por sua fascinação pela ideologia e rituais fascistas. A tradição de regimes populistas e autoritários da América Latina que deram origem aos caudilhos do século XIX e início do século XX, e várias juntas militares que tomaram o poder durante a Guerra Fria criaram condições favoráveis para o surgimento de grupos e mesmo de governos alinhados com alguns ou vários pontos do ideário fascista. A maioria das juntas constituíram-se como ditaduras militares tradicionais, e alguns destes regimes (como o argentino), deram guarida a ex-nazistas tais como Adolf Eichmann e apoiaram movimentos neofascistas (como a Alianza Anticomunista Argentina).
Argentina (1946-1955 e 1973-1974) - Juan Perón admirava Mussolini e estabeleceu seu próprio regime pseudo-fascista, embora seja considerado mais freqüentemente como um populista de direita. Após sua morte, sua terceira esposa e vice-presidente, Isabel Perón, foi deposta por uma junta militar, depois de um curto interregno caracterizado pelo apoio ao grupo terrorista neofascista Aliança Anticomunista Argentina (la Triple A). A junta de Videla, que tomou parte da Operação Condor, apoiou vários movimentos neofascistas e de extrema direita; a SIDE apoiou o Golpe da Cocaína de Meza Tejada na Bolívia e treinou os "Contras" na Nicarágua.
Luis García Meza Tejada tomou o poder na Bolívia durante o Golpe da Cocaína em 1980, com o apoio do neofascista italiano Stefano Delle Chiaie, do criminoso de guerra nazista Klaus Barbie e da junta militar da Argentina. O regime foi acusado de apresentar tendências neofascistas e de admirar a parafernália e rituais nazistas. Hugo Banzer Suárez, que antecedeu Tejada, também manifestava admiração pelo nazi-fascismo.
O neofascismo tem estado presente na política grega desde o regime autoritário de Ioannis Metaxas, embora com escassa simpatia entre a população. Durante os anos 1950 e anos 1960, neofascistas gregos formaram frações extremistas, uma das quais foi responsável pelo assassinato do político Gregoris Lambrakis. Em 1967, a junta militar grega de George Papadopoulos, buscou inspiração na era Metaxas de 1936-1941 e impôs aos gregos uma mentalidade neofascista de poder.
Uma década após o retorno à democracia (1974), o ex-líder da junta, George Papadopoulos, fundou e presidiu a União Política Nacional, um partido que se não era neofascista, pelo menos apoiava pontos de vista autoritários e o ideal de "Ellas ton Ellinon Christianon" ("Grécia para os gregos ortodoxos"). Os neofascistas gregos despertaram pouco mais que indiferença por parte da população em geral, mas continuaram a existir em partidos inexpressivos, raramente chegando a conquistar cadeiras no parlamento.
No início dos anos 1980, Nikolaos Michaloliakos, um ex-pára-quedista do exército grego e ex-líder da juventude da União Política Nacional, criou o Movimento Popular Nacional Hrisi Avgi ("Aurora Dourada" em grego), um partido neonazista que durou até 2005.

É frequentemente uma matéria de disputa saber se um determinado governo poderá ser caracterizado como fascista, autoritário, totalitário, ou simplesmente um Estado policial. Regimes que se proclamaram como fascistas ou que são considerados como simpatizantes do fascismo, segundo alguns autores[carece de fontes?], incluem:
* Áustria (1933-1938) - Austro-fascismo: Dollfuß dissolveu o parlamento e estabeleceu uma ditadura clerical-fascista que durou até a Áustria ter sido incorporada na Alemanha através do Anschluss.. a ideia de Dollfuß de um "Ständestaat" foi tirada de Mussolini.
* Itália (1922-1943) - O primeiro país fascista, foi governado por Benito Mussolini (Il Duce) até que Mussolini foi capturado durante a invasão Aliada. Antes disso Mussolini tinha sido salvo da prisão domiciliária por tropas alemãs, montando de seguida um estado-fantoche (a República de Saló) no norte da Itália sob a protecção do exército alemão.
* Espanha (1936-1975) - Após a prisão e execução em 1936 do seu fundador José Antonio Primo de Rivera durante a Guerra Civil Espanhola, o partido da Falange espanhola foi liderado pelo Generalíssimo Francisco Franco, que se tornou conhecido como El Caudillo, líder indisputado do lado nacionalista na guerra civil, e, após a sua vitória, chefe de estado espanhol até à sua morte, mais de 35 anos depois.
* Portugal (1932-1974) - Menos restrictivo que os regimes da Itália e Espanha, o Estado Novo de António de Oliveira Salazar era no entanto um regime filo-fascista, ou seja, um regime autoritário com inspiração fascista, reflectida no regime de Partido único e no corporativismo de Estado.
* Grécia - a ditadura de Joannis Metaxas entre 1936 e 1941 não era particularmente ideológica na sua natureza, e pode por isso ser caracterizada mais como autoritária do que fascista. O mesmo pode ser argumentado sobre a ditadura militar do Coronel George Papadopoulos entre 1967 e 1974, que foi apoiada pelos Estados Unidos.
* Roménia (1940-1944) - A Guarda de ferro tomou o poder quando Ion Antonescu forçou o rei Carol II da Roménia a abdicar. O regime fascista acabou após a entrada das trovas soviéticas.
* Argentina (1946-1955 e 1973-1974) - Juan Perón admirava Mussulini e estabeleceu o seu próprio regime pseudo-fascista. Após a sua morte, a sua terceira esposa e então vice-presidente Isabel Peron foi deposta por uma junta militar.